quarta-feira, 4 de maio de 2016

PREDIÇÕES DE UM CORPO. (RASCUNHO N)




Analise de posturas e estratégias do sujeito a partir da predição de seus movimentos e para a predição de seus movimentos
(rascunho N)

Muito promissor levar em consideração que tanto as posturas quanto as estratégias tendem a uma mesma relevância e em gradientes similares quando analisado o sujeito, quanto a estes aspectos. É promissor tanto quanto, que se leve em conta a interferência do observador nestas posturas e estratégias quando em busca de uma predição, de forma que o intuito de predizer é uma variável a ser considerada, mesmo quando tendendo a zero.

Levados em conta os regimes de percepção, sensoriais e extra sensoriais, a análise passa a percorrer as instancias do corpo evitando estabelece-las como estados do corpo, principalmente para trazer à consciência a consistência da dinâmica do corpo, prevalecendo a ação sobre a inércia e a alteridade sobre a identificação.
É demasiado relevante considerar as particularidades do corpo mas ainda mais as possibilidades do corpo antes de sua medição. A busca das singularidades, na análise é o desejado, provavelmente desmedindo-se as tais particularidades e tomando-se a experiência como representação. Uma análise sintagmática afasta a condição proposta pelos paradigmas e será proativa em relação a legitimidade do fenômeno medido e seus eventos.
Um percurso desta analise parece percorrer o campo de integração observador-sujeito uma vez que as posturas e estratégias de movimentos tendem a uma mesma relevância e gradientes similares, tendo-se em conta a interferência do observador como requisição de postura e proto-condição de estratégia, que só não se efetivará como condição à medida em que uma tal integração permita que o observador seja observado em suas observações, com mesma intensidade e consistência. Desmedir as estratégias invocadas pelas observações recíprocas é que vai possibilitar extrapolar as variáveis e suas infinitudes, visto que em um conjunto de equações em que o sujeito sofre a interferência e o observador sofre outra interferência, temos as descrições de várias incógnitas, que podem assumir valores N, e nunca medido um N e um anti-N e nem mesmo N=N. Em um campo integrado de observador e sujeito, temos uma nova e única equação e apenas uma incógnita, multiplicada e potencializada, e uma constante de N qualquer, observável e infinito, incerto e extrapolável como condição ou fator.
Em um exercício, poder-se-ia considerar a extinção de um efeito dominó, nesta análise, visto que os eventos do corpo observador não estão mais vinculados ou seccionados do corpo sujeito, de modo que não se esperam efeitos e estes não serão medidos por consequências, nem localidade nem colateralidade, e da mesma forma, tais extrapolações diminuiriam as potencias de um efeito asas da borboleta sobre a medição, uma vez que a exclusão de incógnitas e variáveis tende a diminuir a complexidade da equação assim como a impossibilidade de elaboração de equação simples.
Chegar a uma postura Zero, pré-estratégias, deixa de ser um objetivo e passa a ser potencia e probabilidade da medição, a precipitar-se em resultados à medida em que a objetividade do novo corpo observador-sujeito se dispuser a uma análise.
Ainda assim, afim de evitar a experiência da condição de fim, para a medição, que acarretaria quase inevitavelmente em estabelecimento e modelagem, propõe-se que as previsões sejam substituídas por ferramentas de predição e que a abordagem se de em um futuro do pretérito e não em um futuro do presente. Um corpo que “faria” em lugar de um corpo que “fará”.
Tal tese percorre as instancias do corpo em um “a priori” cujo “a posteriori” tenha ou não se realizado. A força do sintagma se potencializa e a necessidade de um paradigma se enfraquece.
Nesta tese, reiterando, em relação a um corpo, o ato de analisar suas posturas invoca uma série de estratégias para a performance e desenho destas posturas. A expressão imediata é quase que instantaneamente redirecionada por tais estratégias, levando a novas posturas e novas estratégias, até que se encontre um ponto que poderemos considerar estável, mesmo em absoluta dinâmica.
Desta forma, não havendo como extrapolar este principio do observador e as estratégias condicionadas que invoca, resta a inserção desta variável e sua amplitude, na equação.
Agrupando e reagrupando estes conjuntos que a variável pode assumir, teremos uma estratégia também, para a observação, possibilitando que as estratégias agora, tanto do sujeito como do observador, passem a apresentar um novo conjunto de dados para a inserção de uma, agora constante, e a extrapolação das variáveis na equação.
Desta forma, apresenta-se uma tese em que o observador observa e é observado em sua observação, a priori, de modo que as estratégias advindas desta reciprocidade podem ser elevadas ou reduzidas a um mesmo quantum, indefinível mas passível de medição, por observação reciproca. Estas particularidades em ambos os polos, estabilizadas, passam ao tal momento de possível extrapolação.
A postura zero, estará disponível e requisita-la é o ponto desta analise para a predição, não mais diante da predição.
Considere-se uma instancia, para a analise do movimento, mais próxima ao zero, como a analise da postura de projeto.
Um tal corpo tem um projeto
Assim, é fundamental que se tenha uma noção o quanto possível exata e total deste projeto, podendo predizer quais os movimentos ele é capaz e para quais está mais inclinado e qual a hierarquia de comandos ele vai receber para determinadas posturas, dentro do projeto e para cada movimento diante de cada requisição.
A questão aqui é quase puramente teórica; presume-se um total conhecimento daquele corpo, morfológica, fisiológica, anatomicamente. Metabolismos, sistemas. A totalidade de conhecimentos acerca da totalidade deste corpo.
Mas ainda assim, esta analise carece de relevância se este corpo não estiver funcionando perfeitamente conforme o projetado. Sem falhas, nem defeitos, nem erros, nem desvios, nem deformações.
O projeto do corpo parece-se pois com o modelo de corpo. Então é importante diferir o projeto do modelo. Um projeto é sobretudo uma composição sutil e imaterial, sendo o imaterial e sutil, o mínimo material e denso possível. O modelo é um estabelecimento de uma tal cadeia de números complexos não ordenados e decodificados, e, na impossibilidade de expressão do fenômeno, substituto do mesmo. Analisar o projeto não é de forma alguma debruçar-se sobre o modelo. Principalmente ao se pensar uma normalização do corpo para possibilitar a modelagem. Um projeto sempre é um projeto qualquer. Um modelo sempre é um produto de correspondência como ferramenta de previsões dentro de um plano de analise de futuro do presente, no presente. Um projeto aqui, possibilita a analise em um futuro do pretérito e a qualquer tempo, distintas as previsões das predições, como enunciado.
A instancia postura projeto está para a precipitação do evento e sua medição, mantendo as possibilidades por sua característica de disposição à desmedição e manutenção de experiência como saber o projeto. Neste ponto, qualquer particularidade pode ser medida como singular e qualquer estabelecimento pode ser apresentado como saber múltiplo.
A necessidade de desmedição das particularidades desta analise está em função da segmentação que estas verificações proporcionarão.
Tal segmentação se apresenta propositiva para a analise na instancia da mecânica, da realização de tarefas, das ações gerais de produção e de suporte e manutenção.  Uma medição da potencia do projeto pela verificação molecular dos mecanismos geradores e regeneradores desta potencia, assim como das ferramentas e comandos projetados para nomear esta potencia.
O DeadLine desta analise de postura do projeto é representado pelo caracter de consideração, mesmo na visão molecular, de presunções do projeto, pressuposições e supostos, enaltecendo a imaterialidade do fenômeno, não trazendo à superfície a constituição do movimento, da ação, do agente, assim como não traz a condição (já abandonada) de cada segmento.
A análise da postura do projeto é um exercício da percepção destas sutilezas e dos produtos criativos de tal observação, para aguçar as percepções e possibilitar a infinita abordagem, sem requisição correspondente a expectativas que não sejam a própria medição, quer da singularidade, quer do evento, quer do fenômeno, quer do próprio exercício de observação e medição.
Na consistência da analise, mantido um tal corpo observador-sujeito, salta-se, então, a uma nova instancia de postura, onde estão também novas e avançadas estratégias.
O campo desta nova instancia é o físico. A instancia da postura física é a nova observação, medição e análise.
O caráter da analise nesta instancia é excessivamente material, baseando-se no estado físico real da partícula observada. Tal densidade exige alto grau de abstração, criatividade e concentração, para a manutenção do status de corpo observador-sujeito e do não estabelecimento de pequenos corpos fragmentados, no regime molar tanto quanto no molecular. Fluindo pela materialidade, constituição e condição física, aparelha-se com o máximo conhecimento possível acerca não mais do projeto mas das leis naturais vigentes, no corpo, no conjunto das unidades corpos semelhantes e no conjunto total dos meios, a que o corpo está relacionado.
As primeiras medições serão quase como uma revisão de funcionamento, cargo, função, condição, causas e perspectivas, pregressões e progressões, hipóteses e problemáticas relacionadas as partículas.
A perspectiva está na funcionalidade, funcionamento e função.
A desmedição destes procedimentos é o desejo forte, uma vez que os mesmo levarão a uma indevida pluralização de equações, renovação de variáveis, instabilidade de fórmulas, inclusão de incógnitas e alta complexidade de números e códigos.
O  corpo chega a tender a um desmembramento e catalogação, de modo que o uso das ferramentas e procedimentos não deve estabelecer-se como jornada da analise, afim de evitar uma busca de resultados, uma comparação, um arquivamento de feddbacks, correlações de catálogos e reinstalações a partir de compensações orteticas ou protéticas.
A abstração se potencializará a partir da espera pelo inesperado, antes que se estabeleçam os padrões e os modelos.
Um atalho bem promissor parece ser a analise da postura física a partir da falha, a partir das predições da analise da postura. Esta lógica descendente proporcionará a partir da falha, predições do êxito.
A busca de uma viabilização da analise deste corpo é, portanto, uma profunda avaliação do projeto e da similaridade do corpo físico com o corpo projetado, computando-se ainda suas variações.
A tese indica que esta operação deva se dar mais facilmente a partir da segmentação deste corpo e avaliação de cada segmento, repetindo-se o processo até o nível molecular e neste, sua instancia íntima.
Este campo se da num tempo modo subjuntivo: “teria feito” em lugar de “fez”. E em projeções de um futuro passado; “tivesse feito” em lugar de “ feito” ou “ter feito”.
Esta instancia, mesmo em graus moleculares, tende a ser de observação geral e a partir das partículas de maior visibilidade, propondo hierarquias e equalizações, gerando representatividades e reproduções de resultados, com propósitos naturais de estabelecimento de modelos complexos, para facilitar e acelerar medições.
A precisão da observação é muito grande, apesar de ampla, mas pelo mesmo caráter, a imprecisão da medição também é grande.
A problemática aqui é outra e o problema maior está na exigência de conhecimento, domínio e confiança nas postulações de um projeto ótimo e perfeito, para realização, de uma tarefa ou movimento, especifica em relação a um objetivo claro e definido.
Elevando-se a observação da instancia de postura física a um grau molar, haverá o surgimento de toda uma hierarquia de objetivos desta espécie, em relação a um objetivo mais claro e mais definido. Nesta progressão, uma observação, medição e análise, denunciaria um especialista em um regime constante de novas especializações, reciclagens e revisões, acompanhamentos burocráticos e empirismo cientifico de e para referencia, reprodução e repetição.
E ainda assim, se seguido tal plano amaldiçoado, levemos em conta a manutenção da sujeição as citadas leis da natureza, em sua legislação aurea e totalidade, uma constituição natural, interpretada ainda a partir de um máximo conhecimento e um atualizado sistema de informação acerca do objeto e seu campo de atuação, sem abandonar a instancia.
A precariedade destas predições estará em função principalmente da incapacidade ou do limite da capacidade de apreensão de todas as variáveis envolvidas e a elaboração de equações mais pertinentes a cada ponto do espectro e ainda a decodificação de toda esta tabua de números complexos gerados, ainda a partir dos postulados mais evidentes e de proposições, imposições, condições e avaliações facilitadas, filtrada a ação pelas informações atualizadas e nem mesmo aferidas ou acessadas pela racionalidade ou mesmo intuição.
Predições físicas molares, principalmente, estarão mais aproximadas a uma questão de múltiplas opções do que um campo de possibilidades e escolhas. Portanto, parecerá uma aposta e não uma proposta. A resposta é um tom vago e experimental. A medição é fraca e complexa.
O sucesso desta analise de instancia física é apontado apenas pela regularidade com que seus resultados correspondem ao projeto, em números tais que esta regularidade apresente-se como útil, embora denuncie sua ineficiência como constante.
Denuncia-se, também, o efeito dominó assim como o asas de borboleta, atuantes e fortes, em um regime em que a colateralidade, a imprevisibilidade e a instabilidade, não só se instalam como são soberanas, proporcionando opacidade onde se deseja a transparência para a observação.
Assim, partir da falha, como proposto, aponta mais facilmente ao evento em êxito, no campo sutil, via abstração e criatividade.
O sintagma, nesta instancia postura fisica, portanto, é a falha!
*********
(instancia 3 e análise: postura intencional)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

"FLETCHER'S CLUB AND THE TROOP OF JERRYS" IN MC’ ONDE





àquela hora do dia, o Fletcher's já passara por seu apogeu de frequencia dos Jerrys... então, podia-se decretar com segurança que surgira mais uma conspiração em Mc’ Onde, ao menos em teoria.
A conspiração do dia envolvia o próprio Fletcher’s; alguns Jerrys haviam “criado” o costume de tomar “shotoffes” como forma de estabelecer classe, grupos e uma hierarquia. Os Jerrys, mesmo sendo todos eles Jerrys, não pertenciam a mesma classe. E a Hierarquia estava implicitamente descrita pelos shotoffes. Não pelo consumo, mas pelas ofertas.
Jerry W havia começado a descrição da teoria; era uma forma muito mais sutil de conquistar, explorar e exercer poder do que ostentar propriedades, posses e bens... bastava sacar um enorme pacote de notas, do bolso, notas graudas, preferencialmente, e anunciar: “Esta rodada é minha!”
Um gesto simples e camarada. Nada ardiloso, não fosse o ardil de todo o grupo. O pagador de shotoffes era sempre o ultimo a partir, nem se discutiria isso, e cada um que partia acabava indo até o pagador para agradecer, num eco de submissão: “te devo uma”... ao que o pagador respondia, esclarecendo: “sim. Eu sei!”
E assim, iniciava-se uma especie de nobreza e sua corte. Os pagadores de shotoffes eram como poderosos, mesmo que esbanjadores, mas poderosos por distribuirem shotoffes indiscriminadamente. E poderosos pq a cada shotoffe doado ganhavam uma promessa de retribuição. Alguns Jerrys, já tendo ganho vários shotoffes nesta modalidade, simplesmente deviam o incalculável. E tinham noção disso. E tinham a noção de que o pagador tb carregava a noção de tal débito. E, era tacito, tal divida já não mais poderia ser quitada em shotoffes de retribuição. E tal quantidade de shotoffes irretribuiveis só podia indicar uma incalculável submissão. Pq esta é a forma de um Jerry seguir endividado sem ser cobrado. Submeter-se, mesmo que indignado, mas sem jamais transparecer a indignação ao pagador, enquanto aos demais devia anunciá-la em bom brado, mesmo correndo o risco da delação. É certo que os Jerrys são delatores costumazes. É certo portanto que se sabe que se será denunciado ao pagador. Assim, só sobra ao Jerry submisso, galgar na hierarquia, submetendo outros que o assegurem e lhe forneçam poder e obediencia. E que se endividem com ele. Mas principalmente, o Jerry submisso vai contar com o cinismo do Jerry pagador. Ele ouvirá a denuncia mas fingirá não saber de nada. De modo que a represália nunca virá abertamente. Nunca será ostensiva. Continuara em sua sutileza, assim como o poder será alimentado ainda pelas proximas rodadas oferecidas...
Enfim, o pagador é o que se chama um Jerry Nobre. Os submissos, vão iniciar outras categorias. Mas nada se equipara a um Jerry Nobre, em matéria de poder e na hierarquia.
Ao menos, na teoria, nada é equiparável. Jerrys Nobres são soberanos.
Jerry W, o enunciador desta conspiração, classifica-se como um Cortesão.
Ser um Jerry Cortesão não era assim tão ruim; uma segunda classe proveniente da primeira classe, como eleita. Afinal, um Jerry Nobre paga  rodadas de shotoffes ao cortesãos. Não somente a eles (veremos no decorrer da exposição de Jerry W), mas principalmente a eles. Por que se é a divida que dá poder ao Jerry Nobre, é a qualidade do devedor que qualifica tb a divida. Um Jerry Cortesão é do tipo que pagaria o seu proprio shotoffe. Mas não tem princípios o suficiente para oferecer rodadas ou negar-se a recebe-las. Logo, ter alguem sem muitos principios como devedor, importa ao Nobres. Porque as formas de quitação que esta qualidade permite, é mais ampla. É mais sem preço e sem principios.
Um Cortesão é um Jerry praticamente cultivado no dia a dia. Bajulado, envaidecido, comprado em shotoffes. Logo, um Cortesão é visivelmente pinçado do conjunto de Jerrys. Quanto mais rodadas ele deve, sinal de mais rodadas ter ganho. Se ganhou muito, o interesse sobre ele tende a parecer especial. E independente de sua divida para com os nobres, o cortesao será respeitado como interessante, quase vital para a manutenção do Fletcher’s Club.
De onde podemos afirmar, segundo Jerry W, que é mais prazeroso ser um Jerry Cortesão do que um Jerry Nobre. Afinal, se há uma lenda sobre a existencia dos Jerrys Nobres, há muitas outras lendas sobre a vida de cada um do Jerrys Cortesãos. Cada Jerry Cortesão pode dizer que é uma Lenda. Mas, o próprio Jerry W explica, isso é apenas algo que se pode dizer. Um Jerry Cortesão é na verdade apenas uma falácia, não uma lenda. Alguns, mais empenhados, poderão dizer-se uma fraude. Não muito mais que isso. Mas, é o preço da evidencia. E no Fletcher’s Club, entre os Jerrys, é a evidencia o que mais conta.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

ARKHEON!!!

Domingo, 19 de Outubro de 2008
OS METROS RASOS (E AS DOBRAS)
Branca de Neve ouvia atentamente enquanto um deles explicava:
- Não somos anões. Nem mesmo duendes. Para nós, somos o que somos. Os pequeninos nos chamam de Gulliver. Mas também não somos Gulliver.
- Gulliver? – perguntou Branca de Neve, ainda mais confusa. – E quem é Gulliver?
Dengoso assobiou, como quem estuda a resposta, mas era um chamado. E a sombra logo os encobriu.
Branca de Neve olhou para cima e deparou-se com ele; O gigante.
“-É claro – pensou – este Gulliver.”
- Olá – cumprimentou ela.
- Olá – respondeu o gigante.
- Sou Branca de Neve.
- Mas ele não é Gulliver – antecipou-se Zangado, percebendo a confusão – Você nunca compreende...
- Não é? – Branca de Neve passava de confusa a perturbada.
- Não sou Gulliver, não – disse o gigante – mas eu o conheço. Ele vive em minha terra, Liliput. Na verdade posso vê-lo daqui, porque ele é muito grande...
- Mas não posso vê-lo???
E foi Risonho que disse, desta vez:
- Ele não passa por sua pupila! – mas ninguém riu e Branca não entendeu.
- Mas quem é ele? Fale dele, como ele é?
- Ele é um menino comum. Trocou sua vaca por uns feijões, subiu no pé de feijão. Depois de muito, quando desceu, resolveu fugir e veio até nós.
- Fugir? Pé de feijão?? O que foi que houve?
- Ele não fala muito a respeito. Diz q ue é um trauma. Mas sei que roubou uma galinha que botava ovos de ouro... Estragou tudo e ainda derrubou o dono da galinha, um gigante que morava no castelo das nuvens.
- Meu Deus! – exclamou Branca enquanto fazia o sinal da cruz em seu peito – E o gigante se feriu?
- Sim. Por isso fica lá de longe, apenas tomando conta de Gulliver, mas sem poder chegar até ele. Dizem que um dia ele virá, pra recuperar a galinha.
- E a galinha?
- Nunca vi. Acho que Gulliver a comeu... foi uma longa viagem.
- E o gigante fica olhando de onde???
- Ele não sabe – voltou a explicar Risonho – ele é Liliputiano. O Gigante não passa por sua pupila, também.
E dessa vez, todos riram, mesmo Branca de Neve.
- Uma galinha que bota ovos de ouro... o que o gigante queria com ela??? Não parece que o Gigante precisa de ouro.
- Um momento – pediu o Liliputiano, voltando a seguir e refazendo a sombra.
- Gulliver disse que era por causa do veneno da maçã.
- A maçã?
- Isso ainda vai longe - resmungou Zangado.
- A maçã – repetiu o Liliputiano – Gulliver esta explicando que o Gigante vivia em um pedaço de maçã envenenada, que foi comido pela Bela. O veneno era lento, demorado. 1000 ovos de ouro seriam um antídoto na própria maçã. A toxina se dissiparia e a Bela poderia acordar. Talvez até viesse a digerir a maçã. Estariam todos livres...
- E a Bela, envenenada pela maçã, ainda dorme, porque o Gigante não tem 1000 ovos em sua nuvem... e se vier a ter ela acorda...
- Sim – disse o Liliputiano – assim Alice realizará o sonho de ter sua boneca acordada para brincarem juntas.
- Alice???
- Alice é a dona da boneca – explicou bronqueando Zangado.
- E como você, Zangado, sabe de Alice? – retrucou Branca de Neve, desviando-se da história.
- Sabemos por causa do Soneca.
- Na verdade, por minha causa – intrometeu-se Atchim.
- Como? – quis saber Branca, ansiosa.
- Bem, quando eu espirro, ela me deseja saúde!
- Ela fala com você????
- Não, ela fala no sonho de Soneca.
- Meu Deus – repetiu Branca de Neve, ressinalizando a cruz, desta vez na própria testa .
- Sim! Veja isso: - e Atchim sem algum esforço, fez soar enorme espirro.
Soneca sequer esboçou incomodar-se com o barulho, mas em instantes abriu os olhos, talvez sonâmbulo e anunciou:
- Alice deseja-lhe saúde! – e voltou a dormir.
- Mas como é possível? – desesperou-se Branca, diante de toda sua ingenuidade e ignorância.
- É a dobra. Por causa da dobra – bronqueou Zangado pela terceira vez, antes da galinha chocar.
- Que dobra?
- A dobra – riu Risonho, também chamado Feliz, coisa que ele insistia em explicar que não era. – Antes era mais simples conseguir a dobra. Bastava pedir a Lewis. Agora precisamos ser impróprios, sem graça, indevidos. Mas sempre se pode ter uma dobra.
- Que Lewis? Que Lewis?
- Um autor melhor ouvinte. Agora precisamos fazer fracassar. Eu estou explicando.
- Mas como fazer isso?? Como conseguir um fracasso, indevido e sem graça, para ter uma dobra??? – desesperou-se Branca, deixando cair o terço de suas mãos. – Não consigo pensar em nada. Que merda!!!!
- Impróprio. Impróprio. Ai vem a dobra. - avisou ele.
E a folha toda foi amassada, as dobras surgindo. O espelho de Alice, vidro temperado, partiu-se em mil fragmentos.
Alice fechou os olhos um tanto de susto, um tanto astuta, para se proteger. E cumprimentou o Coelho, no interior de suas palpebras.
- Estamos em tempo – disse ele – os relógios pararam.
- Muito propício – gostou Alice.
- Dobra de Vamos ou dobra de Fomos? – perguntou o Coelho.
- Dobra de Ir – escolheu Alice.
E imediatamente o Coelho saltou e Alice iu!
BV, Guaratinguetá. (Para a Natassia)
às 17:09

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

PREDIÇÕES DE UM CORPO. (RASCUNHO 1)



Analise de posturas e estratégias do sujeito a partir da predição de seus movimentos e para a predição de seus movimentos
(rascunho 1)

Muito promissor levar em consideração que tanto as posturas quanto as estratégias tendem a uma mesma relevância e em gradientes similares quando analisado o sujeito, quanto a estes aspectos. É promissor tanto quanto, que se leve em conta a interferência do observador nestas posturas e estratégias quando em busca de uma predição, de forma que o intuito de predizer é uma variável a ser considerada, mesmo quando tendendo a zero.

Levados em conta os regimes de percepção, sensoriais e extra sensoriais, a análise passa a percorrer as instancias do corpo evitando estabelece-las como estados do corpo, principalmente para trazer à consciência a consistência da dinâmica do corpo, prevalecendo a ação sobre a inércia e a alteridade sobre a identificação.
É demasiado relevante considerar as particularidades do corpo mas ainda mais as possibilidades do corpo antes de sua medição. A busca das singularidades, na análise é o desejado, provavelmente desmedindo-se as tais particularidades e tomando-se a experiência como representação. Uma análise sintagmática afasta a condição proposta pelos paradigmas e será proativa em relação a legitimidade do fenômeno medido e seus eventos.
Um percurso desta analise parece percorrer o campo de integração observador-sujeito uma vez que as posturas e estratégias de movimentos tendem a uma mesma relevância e gradientes similares, tendo-se em conta a interferência do observador como requisição de postura e proto-condição de estratégia, que só não se efetivará como condição à medida em que uma tal integração permita que o observador seja observado em suas observações, com mesma intensidade e consistência. Desmedir as estratégias invocadas pelas observações recíprocas é que vai possibilitar extrapolar as variáveis e suas infinitudes, visto que em um conjunto de equações em que o sujeito sofre a interferência e o observador sofre outra interferência, temos as descrições de várias incógnitas, que podem assumir valores N, e nunca medido um N e um anti-N e nem mesmo N=N. Em um campo integrado de observador e sujeito, temos uma nova e única equação e apenas uma incógnita, multiplicada e potencializada, e uma constante de N qualquer, observável e infinito, incerto e extrapolável como condição ou fator.
Em um exercício, poder-se-ia considerar a extinção de um efeito dominó, nesta análise, visto que os eventos do corpo observador não estão mais vinculados ou seccionados do corpo sujeito, de modo que não se esperam efeitos e estes não serão medidos por consequências, nem localidade nem colateralidade, e da mesma forma, tais extrapolações diminuiriam as potencias de um efeito asas da borboleta sobre a medição, uma vez que a exclusão de incógnitas e variáveis tende a diminuir a complexidade da equação assim como a impossibilidade de elaboração de equação simples.
Chegar a uma postura Zero, pré-estratégias, deixa de ser um objetivo e passa a ser potencia e probabilidade da medição, a precipitar-se em resultados à medida em que a objetividade do novo corpo observador-sujeito se dispuser a uma análise.
Ainda assim, afim de evitar a experiência da condição de fim, para a medição, que acarretaria quase inevitavelmente em estabelecimento e modelagem, propõe-se que as previsões sejam substituídas por ferramentas de predição e que a abordagem se de em um futuro do pretérito e não em um futuro do presente. Um corpo que “faria” em lugar de um corpo que “fará”.
Tal tese percorre as instancias do corpo em um “a priori” cujo “a posteriori” tenha ou não se realizado. A força do sintagma se potencializa e a necessidade de um paradigma se enfraquece.
Nesta tese, reiterando, em relação a um corpo, o ato de analisar suas posturas invoca uma série de estratégias para a performance e desenho destas posturas. A expressão imediata é quase que instantaneamente redirecionada por tais estratégias, levando a novas posturas e novas estratégias, até que se encontre um ponto que poderemos considerar estável, mesmo em absoluta dinâmica.
Desta forma, não havendo como extrapolar este principio do observador e as estratégias condicionadas que invoca, resta a inserção desta variável e sua amplitude, na equação.
Agrupando e reagrupando estes conjuntos que a variável pode assumir, teremos uma estratégia também, para a observação, possibilitando que as estratégias agora, tanto do sujeito como do observador, passem a apresentar um novo conjunto de dados para a inserção de uma, agora constante, e a extrapolação das variáveis na equação.
Desta forma, apresenta-se uma tese em que o observador observa e é observado em sua observação, a priori, de modo que as estratégias advindas desta reciprocidade podem ser elevadas ou reduzidas a um mesmo quantum, indefinível mas passível de medição, por observação reciproca. Estas particularidades em ambos os polos, estabilizadas, passam ao tal momento de possível extrapolação.
A postura zero, estará disponível e requisita-la é o ponto desta analise para a predição, não mais diante da predição.
Considere-se uma instancia, para a analise do movimento, mais próxima ao zero, como a analise da postura de projeto.
Um tal corpo tem um projeto
Assim, é fundamental que se tenha uma noção o quanto possível exata e total deste projeto, podendo predizer quais os movimentos ele é capaz e para quais está mais inclinado e qual a hierarquia de comandos ele vai receber para determinadas posturas, dentro do projeto e para cada movimento diante de cada requisição.
A questão aqui é quase puramente teórica; presume-se um total conhecimento daquele corpo, morfológica, fisiológica, anatomicamente. Metabolismos, sistemas. A totalidade de conhecimentos acerca da totalidade deste corpo.
Mas ainda assim, esta analise carece de relevância se este corpo não estiver funcionando perfeitamente conforme o projetado. Sem falhas, nem defeitos, nem erros, nem desvios, nem deformações.
O projeto do corpo parece-se pois com o modelo de corpo. Então é importante diferir o projeto do modelo. Um projeto é sobretudo uma composição sutil e imaterial, sendo o imaterial e sutil, o mínimo material e denso possível. O modelo é um estabelecimento de uma tal cadeia de números complexos não ordenados e decodificados, e, na impossibilidade de expressão do fenômeno, substituto do mesmo. Analisar o projeto não é de forma alguma debruçar-se sobre o modelo. Principalmente ao se pensar uma normalização do corpo para possibilitar a modelagem. Um projeto sempre é um projeto qualquer. Um modelo sempre é um produto de correspondência como ferramenta de previsões dentro de um plano de analise de futuro do presente, no presente. Um projeto aqui, possibilita a analise em um futuro do pretérito e a qualquer tempo, distintas as previsões das predições, como enunciado.
A instancia postura projeto está para a precipitação do evento e sua medição, mantendo as possibilidades por sua característica de disposição à desmedição e manutenção de experiência como saber o projeto. Neste ponto, qualquer particularidade pode ser medida como singular e qualquer estabelecimento pode ser apresentado como saber múltiplo.
A necessidade de desmedição das particularidades desta analise está em função da segmentação que estas verificações proporcionarão.
Tal segmentação se apresenta propositiva para a analise na instancia da mecânica, da realização de tarefas, das ações gerais de produção e de suporte e manutenção.  Uma medição da potencia do projeto pela verificação molecular dos mecanismos geradores e regeneradores desta potencia, assim como das ferramentas e comandos projetados para nomear esta potencia.
O DeadLine desta analise de postura do projeto é representado pelo caracter de consideração, mesmo na visão molecular, de presunções do projeto, pressuposições e supostos, enaltecendo a imaterialidade do fenômeno, não trazendo à superfície a constituição do movimento, da ação, do agente, assim como não traz a condição (já abandonada) de cada segmento.
A análise da postura do projeto é um exercício da percepção destas sutilezas e dos produtos criativos de tal observação, para aguçar as percepções e possibilitar a infinita abordagem, sem requisição correspondente a expectativas que não sejam a própria medição, quer da singularidade, quer do evento, quer do fenômeno, quer do próprio exercício de observação e medição.
Na consistência da analise, mantido um tal corpo observador-sujeito, salta-se, então, a uma nova instancia de postura, onde estão também novas e avançadas estratégias.
O campo desta nova instancia é o físico. A instancia da postura física é a nova observação, medição e análise.
O caráter da analise nesta instancia é excessivamente material, baseando-se no estado físico real da partícula observada. Tal densidade exige alto grau de abstração, criatividade e concentração, para a manutenção do status de corpo observador-sujeito e do não estabelecimento de pequenos corpos fragmentados, no regime molar tanto quanto no molecular. Fluindo pela materialidade, constituição e condição física, aparelha-se com o máximo conhecimento possível acerca não mais do projeto mas das leis naturais vigentes, no corpo, no conjunto das unidades corpos semelhantes e no conjunto total dos meios, a que o corpo está relacionado.
As primeiras medições serão quase como uma revisão de funcionamento, cargo, função, condição, causas e perspectivas, pregressões e progressões, hipóteses e problemáticas relacionadas as partículas.
A perspectiva está na funcionalidade, funcionamento e função.
A desmedição destes procedimentos é o desejo forte, uma vez que os mesmo levarão a uma indevida pluralização de equações, renovação de variáveis, instabilidade de fórmulas, inclusão de incógnitas e alta complexidade de números e códigos.
O  corpo chega a tender a um desmembramento e catalogação, de modo que o uso das ferramentas e procedimentos não deve estabelecer-se como jornada da analise, afim de evitar uma busca de resultados, uma comparação, um arquivamento de feddbacks, correlações de catálogos e reinstalações a partir de compensações orteticas ou protéticas.
A abstração se potencializará a partir da espera pelo inesperado, antes que se estabeleçam os padrões e os modelos.
Um atalho bem promissor parece ser a analise da postura física a partir da falha, a partir das predições da analise da postura. Esta lógica descendente proporcionará a partir da falha, predições do êxito.
A busca de uma viabilização da analise deste corpo é, portanto, uma profunda avaliação do projeto e da similaridade do corpo físico com o corpo projetado, computando-se ainda suas variações.
A tese indica que esta operação deva se dar mais facilmente a partir da segmentação deste corpo e avaliação de cada segmento, repetindo-se o processo até o nível molecular e neste, sua instancia íntima.
Este campo se da num tempo modo subjuntivo: “teria feito” em lugar de “fez”. E em projeções de um futuro passado; “tivesse feito” em lugar de “ feito” ou “ter feito”.
Esta instancia, mesmo em graus moleculares, tende a ser de observação geral e a partir das partículas de maior visibilidade, propondo hierarquias e equalizações, gerando representatividades e reproduções de resultados, com propósitos naturais de estabelecimento de modelos complexos, para facilitar e acelerar medições.
A precisão da observação é muito grande, apesar de ampla, mas pelo mesmo caráter, a imprecisão da medição também é grande.
A problemática aqui é outra e o problema maior está na exigência de conhecimento, domínio e confiança nas postulações de um projeto ótimo e perfeito, para realização, de uma tarefa ou movimento, especifica em relação a um objetivo claro e definido.
Elevando-se a observação da instancia de postura física a um grau molar, haverá o surgimento de toda uma hierarquia de objetivos desta espécie, em relação a um objetivo mais claro e mais definido. Nesta progressão, uma observação, medição e análise, denunciaria um especialista em um regime constante de novas especializações, reciclagens e revisões, acompanhamentos burocráticos e empirismo cientifico de e para referencia, reprodução e repetição.
E ainda assim, se seguido tal plano amaldiçoado, levemos em conta a manutenção da sujeição as citadas leis da natureza, em sua legislação aurea e totalidade, uma constituição natural, interpretada ainda a partir de um máximo conhecimento e um atualizado sistema de informação acerca do objeto e seu campo de atuação, sem abandonar a instancia.
A precariedade destas predições estará em função principalmente da incapacidade ou do limite da capacidade de apreensão de todas as variáveis envolvidas e a elaboração de equações mais pertinentes a cada ponto do espectro e ainda a decodificação de toda esta tabua de números complexos gerados, ainda a partir dos postulados mais evidentes e de proposições, imposições, condições e avaliações facilitadas, filtrada a ação pelas informações atualizadas e nem mesmo aferidas ou acessadas pela racionalidade ou mesmo intuição.
Predições físicas molares, principalmente, estarão mais aproximadas a uma questão de múltiplas opções do que um campo de possibilidades e escolhas. Portanto, parecerá uma aposta e não uma proposta. A resposta é um tom vago e experimental. A medição é fraca e complexa.
O sucesso desta analise de instancia física é apontado apenas pela regularidade com que seus resultados correspondem ao projeto, em números tais que esta regularidade apresente-se como útil, embora denuncie sua ineficiência como constante.
Denuncia-se, também, o efeito dominó assim como o asas de borboleta, atuantes e fortes, em um regime em que a colateralidade, a imprevisibilidade e a instabilidade, não só se instalam como são soberanas, proporcionando opacidade onde se deseja a transparência para a observação.
Assim, partir da falha, como proposto, aponta mais facilmente ao evento em êxito, no campo sutil, via abstração e criatividade.
O sintagma, nesta instancia postura fisica, portanto, é a falha!
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(instancia 3 e analise: postura intencional)